A Electronic Arts divulgou seu relatório financeiro referente ao último ano fiscal, que terminou no dia 31 de março. Nele está a seguinte informação, em tradução livre:

Need for Speed retorna aos consoles e PC neste ano, revitalizando a fantasia corredor de rua vs. policial que é o ponto central da franquia.

Olhando para trás e analisando os 25 anos de existência dessa franquia e as dezenas de jogos lançados durante 4 gerações de consoles, afirmar com tanta convicção que a “fantasia corredor de rua vs. policial” é o ponto central da franquia, é um pouco arriscado. Sim, as perseguições policiais estiveram presentes desde o primeiro jogo, de 1994, mas o fato de Need for Speed não se prender a uma estrutura definida é uma das suas maiores características. E isso pode estar destruindo a série.


A busca por velocidade (de várias formas)

O primeiro jogo, patrocinado pela revista americana Road & Track, já tinha um objetivo bem diferente do que estamos acostumados: ser um simulador completo, porém acessível a jogadores iniciantes. Logo no segundo jogo, tudo isso mudou com a inclusão da física arcade e das pistas com curvas em alta velocidade.

Durante os próximos 4 jogos principais da série (Hot Pursuit, High Stakes, Porsche Unleashed e Hot Pursuit 2), as estradas de alta velocidade e os carros exóticos permaneceram em destaque, com os policiais aparecendo de vez em quando.

Em 2003, houve a grande reviravolta: o primeiro Underground, inspirado pelo sucesso de filmes como Velozes e Furiosos, abandonou os superesportivos em troca de carros mais “comuns” e outros bastante frequentes no cenário dos rachas ilegais noturnos. Acrescentando a isso as incontáveis possibilidades de tunagem e os cenários mais urbanos e noturnos, a subsérie Underground se tornou uma das mais vendidas da franquia.

Em 2005, Most Wanted acrescentou à fórmula de sucesso 2 itens que haviam sido retirados de Underground, mas eram marcas registradas da série: os carros exóticos e as perseguições policiais (em minha opinião as melhores da história dos jogos de corrida). Conseguindo agradar a fãs do presente e do passado, ele se tornou o Need for Speed mais bem-sucedido em questão de vendas.

Parecia que o caminho do sucesso estava definido. Já podia se dizer que a Electronic Arts gostava de fazer “experiências” com a franquia de corridas, mas talvez tenham experimentado demais.


A busca por um foco

Após Carbon, de 2006, ter bebido muito da fonte do sucesso de Most Wanted, em 2007 as coisas começaram a mudar novamente. Pro Street levou as corridas para longe das ruas e dentro dos circuitos fechados, cenário repetido em 2009 com Need for Speed Shift. Desde então, cada visão trazida por cada estúdio diferente nos deixa confusos sobre o que esperar de um futuro jogo da série.

Atualmente, sob minha visão, Need for Speed só continua importante por conta da fama do seu nome. Uma coisa que o consumidor procura é a familiaridade: você não vai ao McDonald’s esperando encontrar um menu de restaurante. Você não joga Gran Turismo esperando um mundo aberto. Você sabe o que vai ter lá. Com Need for Speed, você não sabe.

Não estou dizendo que é errado testar novas fórmulas, muito pelo contrário. As tecnologias mudam e os jogos evoluem junto com elas. Mas quando se tem um nome tão grande quanto Need for Speed, você arrisca perder sua base de fãs se ficar “mexendo os palitinhos demais”.


A busca por relevância

Nesta atual geração de consoles, Need for Speed apenas “sobrevive”, sob a crise de lançamentos de 3 jogos apenas “ok”, comparados aos jogos extremamente bem-sucedidos da geração PS2:

  • Rivals com seus inúmeros bugs e perseguições policiais irreais;
  • o jogo de 2015 com sua narrativa forçada e conexão online obrigatória; e
  • Payback com seus esquemas de tunagem favoráveis a microtransações e um enredo desnecessariamente hollywoodiano.

Mesmo com a janela de lançamento entre um título e outro ter aumentado de 1 para 2 anos, as coisas não se ajustaram e Forza Horizon se tornou o novo rei dos jogos de corrida arcade.

Espero que Need for Speed volte a ser relevante. Que encontre novamente o sucesso que atingiu de 2003 a 2005, e que revitalize a concorrência dos jogos arcade nessa e nas próximas gerações de consoles.